6 de janeiro de 2019

AS REGRAS DO JOGO



 
Jogo é atividade, física ou mental, entre duas ou mais pessoas, com propósito recreativo ou profissional, que busca alguma espécie de prêmio ou prazer. A sorte pode integrar sua prática, assim como o lucro, embora não contem entre seus elementos essenciais. Os sistemas jurídicos positivos divergem sobre considerar essa atividade lícita ou não. Atribuem com frequência liceidade a algumas de suas modalidades e tratam como ilícitas as demais.
Essencial no jogo é a preexistência de regras, que devem ser rigorosamente cumpridas pelos jogadores; aquele que as desrespeita é punido ou afastado da prática. Tão importante seu papel que o derrotado tem normalmente a elegância de reconhecer a vitória de seu êmulo e cumprimentá-lo pelo êxito. Cumprimenta o vitorioso por ter praticado com sucesso as regras do jogo.
O sistema eleitoral político democrático copia em muito o esquema de um jogo, valendo-se de leis que desempenham o papel das regras lúdicas; aqui, também, obedecê-las é indispensável e ser derrotado não é desonra. O vencido cumprimenta o vencedor, apesar de o resultado lhe ter sido desfavorável, pelo fato de ele ter disputado e vencido a peleja respeitando suas regras; a negativa de cumprimentar o exitoso que aplicou as normas deixa claro, por isso, que o perdedor não entende ou não aceita o processo eleitoral democrático.
Uma demonstração pública de vivência respeitosa do sistema eleitoral democrático nos é dada pelos ex-Presidentes da República nos Estados Unidos da América do Norte. Em todos os atos e solenidades públicas estão todos eles presentes, lado a lado, indiferentes às origens partidárias ou ideológicas. É a evidente revelação de que vencedores e vencidos vivem e aceitam cem por cento o sistema eleitoral democrático e que dele participam dispostos a ganhar ou perder, honrando sempre seus resultados.

           Esse  foi o  ponto negro  da  cerimônia  de  posse  do novo Presidente da República brasileira.  Os  derrotados,  incluído entre eles  um ex-Presidente da República,  recusaram-se a  participar do ato, não por alegarem irregularidade na  aplicação  das  regras,   mas   apenas  porque  o   resultado   não  lhes  foi favorável.    Só  cumprimentariam  o  vencedor  no  jogo  da  democracia  se  e quando fossem eles mesmo os consagrados, ou seja, não são democratas.

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