8 de agosto de 2017

FUNDO PARTIDÁRIO

Passada a guerra do recebimento ou não da denúncia contra o Presidente da República, as atenções e pretensões dos parlamentares estão voltadas para o que chamam de reforma política, que de reforma tem quase nada e de política menos ainda; é financeira.

Com alguns disfarces facilmente negociáveis, o que pretendem os senhores Deputados e Senadores é garantir a permanência em seus cargos na próxima eleição e, para isso, insistem em assegurar-se de um Fundo Público para financiamento de suas campanhas eleitorais, orçado em algo que vai de 3,5 a 6,0 bilhões de reais a serem cobertos pelo erário público.

É triste pensar nisso, quando o déficit das contas públicas é calculado em mais de uma centena de bilhões, mesmo depois do saque à Previdência Social e aos salários dos trabalhadores; mesmo depois dos insuportáveis aumentos de impostos. O Brasil precisa economizar, se quiser voltar a crescer, a distribuir felicidade a seus cidadãos. Ora, por que, então, esbanjar no desnecessário? Por que jogar fora valores sacados a fórceps, a título de impostos, dos bolsos de quem produz e de quem necessita?

Esse famigerado Fundo Partidário só serve para multiplicar fantasiosos Partidos anões que nem preocupados estão em eleger alguém, mas apenas em encher a burra de seus criadores; esse Fundo só serve para manter em suas posições políticos que já se mostraram suficientemente corruptos e, apesar disso, pretendem continuar facilmente iludindo a população.

O financiamento das campanhas eleitorais não deve ser feito por empresas, porque elas irão depois cobrar propinas das obras públicas; mas também não deve ser feito pelo Estado, que tem necessidades muito mais importantes a suprir, que tem deveres para com os cidadãos, em segurança, saúde e educação, desatendidos a pretexto de carência de recursos.

Os verdadeiros Partidos que apelem para seus associados no sentido de arcarem com as despesas de campanha. Os candidatos que se valham de dinheiro próprio ou de seus aficionados para cobrir as despesas que desejem realizar.

A pretendida formação ou manutenção de um Fundo Público é indecente e injusta. Indecente porque retira valores de contas indispensáveis aos cidadãos para jogá-los fora em ridículos comícios e programas de TV a que ninguém deseja assistir. Injusta porque obriga todos os brasileiros a financiar Partidos com os quais não estão afinados e até alguns contra os quais se posicionam.

Querem realmente uma reforma política? Pois exijam que cada Partido tenha um programa e uma pauta de princípios políticos diferente dos demais, para que o eleitor possa fazer claramente suas opções; imponham a fidelidade partidária, distinta do cabresto, ou seja, a rigorosa obediência aos princípios do Partido e não à vontade de seus chefetes momentâneos; prescreva a perda do mandato àqueles que se afastarem dos princípios que, no processo eleitoral, ofereceram aos eleitores e prometeram cumprir. O desrespeito a eles é traição, fruto de propaganda enganosa, que precisa ser rigorosamente coibida.


Tudo isso levará à necessária aproximação entre eleitores e candidatos, muito bem reconhecida na ideia do voto distrital que, por natureza, dispensa qualquer Fundo Partidário Público.

0 comentários:

Postar um comentário

Informe o seu e-mail:

By FeedBurner

Posts mais populares