3 de fevereiro de 2017

DROGAS, UMA DROGA

Quando julgamos algo desprezível, dizemos que é uma droga. Portanto, a droga é uma droga. Mas ela acompanha a humanidade desde seus primórdios. É um produto que determina consequências psicofísicas negativas em quem a usa. Algumas drogas são naturais, como a cafeína, a nicotina, o ópio, a maconha; outras resultam de sínteses químicas. Algumas são legalmente toleradas e outras proibidas, condições que variam de um país para outro, de uma época para outra. A maioria delas, como o ópio (suco leitoso da papoula), determinam, logo que ingeridas, um estado de euforia, seguido de sonolência. Todas são capazes de criar dependência no usuário, que passa a necessitar sempre de mais, e cujo físico exibirá, em geral, magreza e amarelão da pele. Em certas circunstâncias, dependendo da quantidade ingerida, a mesma droga, o mesmo fármaco, deixa de ser um mal e é empregado como medicamento, o que explica a sinonímia entre farmácia e drogaria. A droga não é, portanto, um mal em si mesmo, devendo-se reconhecer que o bem ou o mal que ela produz é atribuível ao homem e depende da quantidade da ingestão.

A história da humanidade registra o uso de drogas (naturais ou sintéticas) em todos os tempos. A Bíblia descreve Noé, na euforia da cessação do dilúvio, embebedando-se e cometendo, nesse estado, atos nefandos. O poeta grego Homero, em sua obra A Odisseia, refere a embriaguez pela ingestão de vinho em vários momentos dos diálogos de Telêmaco e também que, durante um banquete por ele oferecido, Helena colocou droga na bebida dos participantes com o propósito de torná-los mansos e agradáveis, afastar suas dores, lágrimas e cólera durante os debates. Por duas vezes, nos anos 1800, os ingleses declararam guerra à China (as guerras do ópio), para assegurar o direito de vender aos chineses o ópio que produziam em sua possessão na Índia. Na segunda dessas guerras, contaram até com a coparticipação da França e da Irlanda.

De uns tempos para cá, o Brasil transformou-se em um lugar onde a importação, produção, comércio e consumo de drogas ocorre intensamente, onde as medidas de controle e impedimento desses atos são absolutamente ineficazes. Milhares de quilômetros de fronteira, nas quais predomina a mata cerrada, tornam impossível a fiscalização e coibição do comércio internacional. A dependência dos usuários às drogas torna seu comércio fonte segura de elevada rentabilidade, aproveitada pelos chefes de quadrilhas de criminosos. Assim, atrás da droga vêm o estímulo à criminalidade, a destruição da estrutura moral dos viciados, o prejuízo à juventude.

Ninguém duvida de que devam ser punidos os traficantes, que comercializam as drogas e, por esse meio, criam equipes de dependentes disponíveis para todas as formas de criminalidade.

O problema que se coloca é decidir sobre o que fazer com o mero usuário de droga. Não é justo tratá-lo como criminoso; ele é, na verdade, vítima, que precisa ser recuperada. A dificuldade está em que a condição de dependente o leva a transformar-se em revendedor do produto para conseguir algum dinheiro e, assim, poder satisfazer a ansiedade pelo produto. Passa a ser também traficante e deve ser não só tratado, mas também reprimido.

Triste é observar como o número de usuários e traficantes cresce de forma assustadoramente acelerada entre nós e, assim, destrói a juventude, desarticula as famílias, transforma-se em um peso adicional para a sociedade.

Se, na antiguidade, os viciados em ópio formavam grupos gigantescos de drogados atirados ao solo, inconscientes, em lugares criados para recebê-los, hoje é brutal a cena de seres humanos amontoados em vias públicas, por exemplo, do centro de São Paulo, ao abrigo de papelões e valendo-se do calor de cães amigos. São cidadãos, são brasileiros como nós, são desgraçados que só têm como esperança a morte indigente.

Enfim, como a cura é dificílima, é imperioso prevenir, o que só é possível fazer através da educação, em casa e na escola.

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